A comunicação começa quando você para de falar.
- terranovacamila
- há 5 dias
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Existe uma situação que provavelmente você já viveu mais de uma vez na vida e não apenas no mundo corporativo... Você está explicando uma ideia, compartilhando um problema ou simplesmente contando algo importante. Enquanto fala, percebe que a outra pessoa faz pequenos movimentos com a cabeça, olha para você e, aparentemente, acompanha a conversa. Mas, antes mesmo de terminar sua última frase, ela já começa a responder e em alguns casos, interrompe. Em outros, muda completamente de assunto ou responde exatamente aquilo que queria dizer antes mesmo de ouvir tudo o que você tinha para falar.
A sensação é inevitável, né... você não foi ouvido.
E esse talvez seja um dos maiores problemas da comunicação dentro das empresas e também fora delas, aprendemos desde cedo a importância de saber falar, de fazer apresentações, defender ideias, argumentar, negociar e convencer pessoas, mas quase ninguém nos ensina a escutar.
E existe uma diferença enorme entre ouvir alguém e realmente escutá-lo.
Ouvir é automático. Escutar é uma escolha.
Todos nós ouvimos durante o dia inteiro, ouvimos notificações, reuniões, relefonemas, conversas no corredor, mensagens de áudio, mas ouvir é apenas um processo biológico, já escutar exige intenção.
Escutar significa dedicar atenção ao que o outro está dizendo, sem a ansiedade de formular uma resposta antes mesmo que ele termine de falar, parece simples né, mas basta observar uma reunião para perceber como isso é raro.
Enquanto uma pessoa fala, muitas outras já estão pensando na próxima resposta, na próxima pergunta ou no argumento que utilizarão para defender seu ponto de vista.
Quando isso acontece, a conversa deixa de ser um espaço de construção e passa a ser apenas uma troca de monólogos, todos falam, mas poucos realmente escutam.
Os maiores problemas das empresas raramente começam nos processos
É comum acreditarmos que conflitos surgem por falta de organização, de processos ou de alinhamento. Na prática, muitos deles começam muito antes, começam quando alguém acredita que foi compreendido, enquanto a outra pessoa entendeu algo completamente diferente.
Começam quando um colaborador deixa de trazer uma ideia porque sente que ninguém realmente o escuta, começam quando um líder responde antes de compreender ou quando uma equipe deixa de compartilhar problemas porque aprendeu que falar não muda nada e com o tempo, essas pequenas situações constroem um ambiente onde as pessoas passam a comunicar apenas o necessário e quando isso acontece, perde-se algo muito maior do que informação. Perde-se confiança.
Escutar também é uma competência de liderança, se não a mais importante.
Existe uma característica presente em praticamente todos os bons líderes que conhecemos, eles fazem perguntas, demonstram curiosidade, pedem exemplos e buscam compreender antes de concluir e isso não acontece porque possuem todas as respostas, isso acontece porque entendem que decisões melhores nascem de conversas melhores.
Liderar nunca foi apenas dar direcionamentos, é criar espaço para que outras pessoas contribuam. Quando um colaborador percebe que sua opinião é genuinamente considerada, o relacionamento muda, a confiança aumenta, o engajamento cresce e as pessoas deixam de apenas executar tarefas e passam a participar das soluções, passam a entender o seu papel na ação e na organização e isso transforma completamente a dinâmica de uma equipe.
O RH precisa aprender a escutar antes de comunicar
Falamos muito sobre comunicação interna, campanhas, endomarketing e canais de informação, tudo isso é importante, mas nenhuma dessas iniciativas produzirá resultados consistentes se o RH também não desenvolver, antes de tudo, uma cultura de escuta, como escutar pesquisas de clima, escutar feedbacks, escutar desligamentos, escutar lideranças, escutar colaboradores e escutar principalmente aquilo que ainda não aparece nos indicadores.
Muitas vezes, os sinais de um problema organizacional surgem meses antes de qualquer número mudar, eles aparecem nas conversas, nas dúvidas recorrentes, nos comentários de corredor, nas pequenas insatisfações, no silêncio de quem deixou de participar e é por isso que um RH estratégico não escuta apenas para responder, escuta para compreender e muitas vezes traduzir essa mensagem.
Talvez a comunicação comece exatamente onde acreditamos que ela termina.
Costumamos imaginar que comunicar é falar bem, aprendemos isso desde a infância não é?, mas na realidade, falar é apenas uma parte do processo.
A comunicação ganha força quando alguém sente que foi compreendido e isso só acontece quando existe espaço para ouvir. Talvez seja por isso que algumas pessoas consigam conduzir conversas difíceis com tanta naturalidade, não porque falem melhor, mas porque fazem o outro sentir que sua opinião realmente importa.
Conclusão
Vivemos em um mundo onde todos querem ser ouvidos., mas poucos estão realmente dispostos a escutar, nas empresas, isso se traduz em conflitos, retrabalho, decisões precipitadas e relações cada vez mais superficiais. Fora delas, impacta amizades, famílias e qualquer relacionamento humano.
Talvez a próxima grande habilidade da comunicação não seja aprender a falar melhor, seja aprender a ouvir com mais intenção. Porque, no fim das contas, a comunicação não começa quando alguém fala, ela começa quando a outra pessoa sente que finalmente foi escutada.



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